sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O que te motiva a fazer o que você faz? (by Angel Achkar)


Precisamos de motivação para tudo na vida, para estudar, trabalhar, ir à academia, precisamos de um motivo para sair da cama todas as manhãs. Pode ser que a motivação seja o salário que cai na conta todo mês ou a realização pessoal, são muitos fatores que nos impulsionam.

O problema está quando bate aquele desânimo e as coisas que faziam nossos olhinhos brilharem não fazem mais sentido. É aquele momento que paramos para refletir se estamos no caminho certo, se o que estamos fazendo faz sentido e nos faz feliz. Eu já senti isso em diversas fases da minha vida, quando escolhi meu curso de graduação, quando fui para o mercado de trabalho, quando virei professora de dança.

No ano passado tive uma espécie de esgotamento em relação à dança. O ano que passou foi pesado, cansativo, me decepcionei com o universo da dança. Depois da apresentação do espetáculo do fim de ano, precisei me afastar. Nunca imaginei que isso, um dia fosse acontecer, justamente comigo que sou uma apaixonada. E fiquei me perguntando o porquê dessa sensação ruim e desmotivação.  Esse tem sido um dos temas de conversas com minha mestra Dani Nur. E ontem ela me deu uma luz! Ela dedicou 2 horas do seu tempo para me trazer de volta para a dança. Ela fez uma série de perguntas e me fez colocar tudo no papel para poder entender o que está me desmotivando.

E com o exercício de reflexão que ela me passou, concluí que estou assim de bode com a dança por diversos motivos:

- me cobro muito (exijo muito de mim).

- me comparo com outros (ao invés de me comparar comigo mesma).

- as comparações, competições e intrigas no meio da dança me fazem muito mal.

- muitas vezes me sinto paralisada e incapaz.

- falsidade e puxa-saquismo de muitas pessoas para se ‘destacarem’ no meio (e se destacam).

- sensação de que mesmo fazendo cursos, me especializando, nunca evoluo.

Depois de listar esses motivos de insatisfação, a Dani pediu para que eu pensasse que se fosse a única bailarina do mundo e não tivesse ninguém para me comparar qual seria o meu brilho? Foi um exercício que me tocou muito e me fez lembrar de todos os motivos que fizeram me apaixonar pela dança.

“Por que danço? O que é a dança para mim?”

E ela pediu para botar para fora esses sentimentos, me disse: “Angelita, você escreve tão bem! Por que não divide esses seus sentimentos em forma de texto? ”. E cá estou dividindo com vocês tudo isso. Eu estava tão triste com a dança que nem tinha mais vontade de atualizar meu blog. Essa conversa ontem com a Dani me transformou.

Hoje pela manhã, antes de começar escrever esse texto, procurei no google ‘Por que nos desmotivamos’ e encontrei um texto muito bacana no site: https://casule.com/por-que-nos-desmotivamos/

E quero dividir com vocês os 3 pilares da motivação, segundo o psicólogo social Bandura:

auto conceito: que é a forma que nos vemos, o valor que atribuímos a nós mesmos, o quanto nos achamos bons para realizarmos uma atividade.
- crença de auto eficácia: é especifica à atividade em questão, diz respeito ao quanto nos sentimos capazes de realizá-la.
- expectativas de resultado: os resultados a serem alcançados devem ser estímulos fortes o suficiente para que a pessoa desenvolva a atividade. Assim, a pessoa precisa se sentir boa na área, capaz de executar a tarefa e ter ganhos significativos com a realização da atividade.

E todas essas definições foram de encontro com o que a Dani me falou ontem. Muitas vezes nos sentimos incapazes de realizar uma tarefa porque nos comparamos (ou nos comparam) com outras pessoas e isso nos esgota e nos paralisa, mas quando entendemos isso, temos a possibilidade de perceber a dança de um novo modo. O que me desmotiva atualmente não é a dança e sim o entorno da dança. E ao tirar esse entorno, consigo resgatar minha paixão pela dança. Amo fazer aula, amo dar aula e montar coreografias, amo poder usar minha criatividade de modo tão intenso com a dança. E é isso então. 

A Dani me passou muitos outros exercícios de reflexão e logo mais venho compartilhar com vocês.

Estou de volta, habibada! ;-)


domingo, 23 de abril de 2017

Mercado Persa 2017, competições e afins.

Estou aqui escrevendo esse texto de pijama, enrolada em um cobertor, depois de ter dormido quase o dia todo para me recuperar do final de semana que foi cheio de emoções, cansativo, mas muito inspirador.

Ontem fomos, eu e meu grupo, ao Mercado Persa, que é o maior festival de dança árabe do mundo. Sempre sonhei levar meu grupo para o Mercado Persa, mas até então nunca tinha dado certo... Dessa vez grande parte das minhas alunas e aluno, toparam. Eu ainda inexperiente em organizar viagens de grupo, contei com ajuda do meu amigo e aluno Jorge. Ele providenciou uma van, eu tratei de me informar sobre como poderíamos participar: entrei no site, me informei, enviei mensagem na página do MP no facebook e recebi o regulamento de participação. Li e reli, para tirar todas as minhas dúvidas e não cometer nenhum erro. Decidi levar nossa coreografia de final de ano, a que apresentamos no espetáculo "A Princesa e o Sapo" do Ballet Expressão. A coreografia é um dabke + derbak moderno, e pelo regulamento vi que poderíamos participar da competição na categoria de danças árabes modernas, fiz a inscrição e a partir desse dia meu coraçãozinho ficou mais acelerado. Foram dias de muita dedicação e ensaios cansativos.

Antes de participarmos do Mercado Persa, decidimos também participar do Festival Som, Luz e Dança de Rio Claro no dia 09 de abril. Esse Festival é uma competição que acontece 2 vezes por ano, são várias modalidades, desde ballet até dança do ventre. Eu até então só tinha participado de uma competição na vida, o Encanto dos Véus (que acontecia aqui em São Carlos, anualmente). Sou super novata neste meio de competição. Adoro coreografar, gosto de exercitar minha criatividade ao imaginar e construir desenhos de palco, me sinto desafiada. Minha turma tem nível básico/intermediário e sempre topam minhas loucuras. E a cada coreografia percebo uma evolução absurda, nelas e em mim. O processo de criação coreográfico é um eterno aprendizado. Em Rio Claro, na categoria dança do ventre, não tínhamos muitos concorrentes, mas no final não ganhamos nenhuma medalha, confesso que fiquei um pouco decepcionada porque queremos ter nosso trabalho reconhecido, mas para uma primeira vez fiquei bem satisfeita com a apresentação do meu grupo, uma apresentação limpa e sem perder a característica árabe.    

Apresentação no Festival Som, Luz e Dança (Rio Caro - S.P. - 09/04/2017

   
Tenho visto algumas apresentações de dança do ventre que não possuem nada de árabe, são quase coreografias de jazz ou circenses, com muita utilização de acessórios e invenção de moda (muitas vezes ferindo a cultura árabe),  e isso me entristece...Ontem no MP, conheci um egípcio, o querido Beto Walker, uma pessoa maravilhosa que me deu tantos bons conselhos e me acalmou antes de entrar no palco,  ele me falou que a dança do ventre vem sofrendo muitas modificações com o decorrer do anos e percebe isso no mundo todo, a modernização da dança até certo ponto é boa porque tudo na vida sofre transformações, mas que é importante nunca esquecer a essência da dança do ventre.


Beto Walker e suas meninas lindas - MP 2017

Se apresentar em festivais e competições é importante para o crescimento de todos, desde o professor até os alunos, porque vemos apresentações com tanta qualidade técnica e criatividade que nos inspiram e dão ideias, e também vemos algumas apresentações que não queremos fazer igual. No Mercado Persa deste ano vi muita coisa linda, me surpreendi com as danças étnicas, o grupo de dança indiana que ganhou primeiro lugar me deixou sem ar. A apresentação das professoras do Núcleo Ju Marconato no Espetáculo de Gala me deixou arrepiada e muito emocionada, que apresentação linda e impecável!

Apresentação Núcleo Ju Marconato (Mercado Persa - 22/04/2017)
               
Tantos grupos com técnica avançada, gente muito boa mesmo. Quando assisti as primeiras apresentações da competição de dança árabe moderna (a categoria em que íamos competir), senti um frio na barriga por ver tantas danças maravilhosas, sincronizadas, perfeitas e pela primeira vez senti medo de entrar em um palco. Foi quando encontrei o Beto Walker, que iria dançar antes da gente e me falou coisas tão lindas e motivadoras. Falou que toda dança tem seu valor, que as meninas dele eram iniciantes e que ele se emocionava ao ver o rostinho delas felizes e maravilhosas dançando no palco. Me disse que a arte é isso, a arte une, salva, satisfaz. Que competição é bom para sairmos da nossa zona de conforto, mas que nunca deve nos desmotivar ou fazer nos sentirmos menos. Disse que é ótimo levarmos nossos alunos para conhecer um festival do porte do Mercado Persa para incentivá-los e para ver o quanto ainda têm para aprender e que todos tem o direito de estar lá brilhando no palco, desde alunos iniciantes até os profissionais. Por fim, chamaram o nome do meu grupo e lá fomos nós dançarmos pela primeira vez no palco do Mercado Persa e sai feliz, porque foi uma superação e fiquei muito feliz com nossa apresentação, assistindo o vídeo depois, vi que as meninas se posicionaram direitinho, tiveram pouquíssimos erros, fizeram caras e bocas, brilharam mesmo! Vídeo da nossa apresentação no MP 2017

Fiquei orgulhosa e satisfeita. E depois é tão gostoso ouvir o feedback das pessoas, a querida Aline Hensser nos deu várias dicas legais, a Silvinha Melo maravilhosa nos elogiou e incentivou, comentou que notou uma grande evolução no nosso grupo. Conhecemos no camarim a Hafiza Nawar, que amor de menina, nos inspirou e nos motivou compartilhando sua experiência em festivais.

Ontem reencontrei muita gente querida que não via a tempos: Mariana Central Dança do Ventre (Blog Central Dança do Ventre), Pedro Françolin, Fátima Saraiva, Rhazi Manat, Jade El Jabel, Gi Kraut, Elhaine Jalilah, Jessyca Lima, Sasha Holtz, Mahailão. Conheci algumas pessoas que só conhecia pelo facebook: a linda Rayara Bellydance.

Momento auge do MP: estou andando no corredor quando quase tropeço (literalmente) com o talentoso e gatíssimo (rs) derbakista internacional Artem Uznov, na hora que o reconheci, quase infartei e dei um grito de espanto, ele começou a rir e lógico que pedi pra tirar uma foto com ele!
Eu e o derbakista Artem Uznov (Mercado Persa - São Paulo - 22/04/2017)
Gostei muito do festival, e parabenizo a organização que estava incrível, adorei o novo local (Hotel World Trade Center), os stands de artigos árabes estavam deixando o povo doido com tanta coisa boa, tive que me controlar para não gastar horrores. Parabéns especialmente à Shalimar Mattar por organizar e manter vivo esse evento inspirador que reúne artistas de todo o mundo e promove a cultura árabe. 

Voltei com a sensação de missão cumprida e com gostinho de quero mais, o festival serviu para me desafiar e me motivar, fiquei feliz com a apresentação do meu grupo e todos se divertiram muito. Fico emocionada quando vejo estou conseguindo passar a paixão que sinto pela dança árabe. Todos voltaram inspirados, animados e querendo voltar melhores no próximo ano! 


                  Grupo Angel Achkar no Mercado Persa (22/04/2017)              
       Angel, Mari, Rilmara, Jorge, Ana Luiza, Paula Helena e Elisa


E como sempre diz minha chefe soberana Bety Kiyomura: "Melhor que esse? Só o próximo!"


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Semanas que antecedem um espetáculo

Essa semana procurei textos na internet que falassem sobre a véspera de uma apresentação de dança do ventre, porém não encontrei. Encontrei textos falando sobre o que levar no dia da apresentação ou dando dicas para a primeira apresentação. Queria encontrar um texto bacana para enviar para minhas alunas que se apresentarão nos dias 15,16, 17 e 18 de dezembro. Então aproveitei, já que não encontrei o texto e que estou em falta com meu blog, para escrever.

Hoje faltam 17 dias para nossa estreia, participaremos do espetáculo de final de ano do Ballet Expressão, “A Princesa e o Sapo”, seremos os convidados do Egito no baile que Charlote oferece para o recém chegado príncipe Naveen. Montei duas coreografias, um dabke que será a abertura, que dançarei com meu querido amigo e aluno Jorge e um solo de derbak para minhas 8 alunas.

Será a estreia do Jorge como bailarino em um espetáculo deste porte, ele sempre esteve atrás das coxias porque sempre trabalhou com cenografia e direção de arte, este ano por motivos de força maior não participou da montagem do espetáculo, porém participará como bailarino. E estou muito orgulhosa, ele aceitou esse desafio de fazer algo novo e se dedicou com afinco, não faltou de uma aula, trabalhou tudo que orientei. E pude acompanhar sua evolução dia após dia e ele sempre enfrentou as dificuldades com determinação, sempre buscando fazer o seu melhor. Não vi isso só nele, minhas alunas também tiveram um crescimento assustador em relação ao ano passado.  

Ontem foi nosso primeiro ensaio geral no Ballet, e me emocionei muito ao perceber o crescimento de todos, de como todas minhas alunas e o Jorge entraram confiantes e determinados. E como se apresentaram com paixão, todos estavam dançando, não estavam simplesmente reproduzindo passos, todos sorrindo, interpretando e caprichando na expressão. E foi uma delícia, ouvir todo o elenco e professores curtindo, batendo palmas e incentivando. Pra mim foi um marco na minha carreira, porque é uma luta diária combater os preconceitos que a dança do ventre sofre. E ontem vi bailarinas clássicas, bailaoras flamencas, sapateadoras, street dancers, todos torcendo pela turma de dança do ventre. Foi um dia emocionante e especial.

A produção de um espetáculo é muito complexa e envolve todo um  planejamento: definição de tema, se o tema será autoral ou baseado em alguma história já existente, quem vai dançar o que, se terá cenário, definição e elaboração de figurinos, iluminação, divulgação, busca de patrocínio, costura da história, etc e tal. São muitas equipes envolvidas: diretor geral, área de finanças administrando os gastos (se estão dentro de um orçamento determinado previamente), produtor (que auxilia todas as áreas envolvidas e as conecta), figurinista,  cenografista, área de marketing e divulgação, costureiras e mais um monte de gente. São muitas preocupações e quando a data de estreia começa a se aproximar, as borboletas começam a voar no estômago de todos. Participar de um espetáculo exige muita responsabilidade e dedicação. 

Sempre que convido minhas alunas para dançarem em um espetáculo, aviso desde o início, que elas precisam de comprometimento. Aviso que no mês anterior ao espetáculo, teremos ensaios aos finais de semana e que será cansativo, que teremos de abdicar de algumas coisas da nossa vida por um tempinho. E que depois que elas se comprometerem não tem como voltar atrás, porque se desistirem por algum motivo fútil elas não estarão prejudicando à mim, à escola ou ao espetáculo, estarão prejudicando suas colegas de dança. Quando uma aluna se propõe a dançar em grupo, não basta ser boa sozinha, tem que saber dançar em grupo, tem que se conectar. É trabalho em equipe, não basta eu saber onde é meu lugar na coreografia e não olhar para as minhas colegas, porque se todas estiverem alinhadas em outro lugar, mesmo que eu esteja no lugar certo, terei que mudar e me alinhar com elas. Todas devem estar conectadas, como se todas fossem uma.

Então deixo aqui algumas dicas para as semanas que antecedem o espetáculo:

·         A coreografia já está montada, agora é a hora dela entrar no cérebro de todos e sair no automático.
·         É hora da limpeza da coreografia, correção de postura e ajustes finais.
·         A partir do momento que você concordou em dançar em grupo, você precisa ter comprometimento, isto é, você não pode faltar por qualquer motivo. Sua falta atrapalhará o grupo.
·         Não fique bravo com as correções da sua professora, ela faz isso para seu crescimento como bailarino.
·         Quando a professora falar que é importante treinar expressão antes, não ache que é uma bobagem. Expressão também deve ser ensaiada para ficar natural. Lembrando que dançar com sorriso congelado até o final não é expressão.
·         Não ache ruim se a professora fizer você repetir, repetir e repetir a sequência coreográfica. Repetição leva à perfeição.
·         Preparação do grupo para eventualidades: o que fazer se começar tocar uma música que não é a do grupo, se a música não começar, se a música parar no meio, se a plateia bater palma antes da finalização, se esquecer ou errar a coreografia...
·         Ensaio geral é importante, para orientar todos sobre a ordem e estrutura do espetáculo. Não falte, nem atrase no ensaio geral, lembre-se que você prejudica toda sua turma.
·         Ajude sua colega de dança, se ela errar, não a ofenda ou empurre. Somos humanos e erros acontecem o tempo todo. É necessário saber se adaptar ao seu erro e ao erro do seu colega.
·         Não falte, nem atrase no dia da marcação de palco. A marcação de palco é importantíssima para que os desenhos da coreografia fiquem conforme o planejado.
·         Um dia antes da estreia tente fazer coisas que não estejam relacionadas à apresentação: assista um filme, saia com amigos, passeie com o seu cachorro. Só não pode encher a cara, pois ressaca prejudica sua dança.

Quando chegar o grande dia, curta e se divirta, pois é dia de brilhar!!!! Lembre-se que você se dedicou muito e deu o seu melhor até ali. Se errar, não demonstre, erre com classe! Errar faz parte. Como disse um dia uma professora que gosto muito: “Se errar, erre com cara que tá fazendo a coisa mais certa desse mundo!”.  Nossa estreia está chegando e tenho certeza que o espetáculo será lindo!!!!


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Dança do ventre para crianças


Há muito tempo quero escrever este texto sobre, se crianças podem ou não, fazer aula de dança do ventre.  

Crianças podem e devem fazer aula de dança do ventre, porém a dança deve ser ensinada de forma lúdica. Ritmos árabes e folclore são opções bem divertidas para introduzir uma criança à dança do ventre.

Eu particularmente não gosto de ver meninas se apresentando como mini adultas, já vi muitos vídeos de crianças dançando igual à adultas e não achei bonitinho, pra falar a verdade me senti bem incomodada. A dança do ventre tradicional é uma dança naturalmente sensual e acho que não há necessidade de expor uma menina a isso antes da hora. Eu costumo equiparar àqueles programas horrorosos de miss que existem nos Estados Unidos em que crianças de 3 anos de idade parecem mini adultas (super maquiadas, com laquê no cabelo, bronzeamento artificial), tenho até vontade de chorar quando vejo. Criança tem que ser criança e pronto. A dança do ventre, como outras danças, serve para dar uma base para a criança desenvolver disciplina, coordenação motora, consciência corporal, criatividade e sociabilidade. A professora de dança do ventre tem que saber que uma aula para crianças deve ser diferente de uma aula para adultas.

Eu dei algumas aulas para crianças e elas ficam malucas com os cintinhos de moedas para fazer aula, adoram mesmo, querem balançar as moedinhas!  Nessas aulas foquei em tremidinhos, deslocamentos simples, giros, pulinhos de saidi, movimentos de braço e mãos e evitei os sinuosos, foi uma aula mais brincalhona. Elas se divertiram à beça. Foi uma experiência bem bacana.

Abaixo ponho algumas apresentações com crianças que são bem bonitinhas e fofas (crianças dançando como crianças):





Em contraponto ponho 2 vídeos onde as meninas dançam como adultas (são lindas e dançam super bem, mas sempre que assisto fico incomodada, acho extremamente sensual para uma criança) :





Também ponho aqui textos bem interessantes que utilizei como referência bibliográfica:



terça-feira, 3 de maio de 2016

BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE

Não preciso nem dizer que sou uma apaixonada pela dança, e especialmente pela dança árabe. Sou descendente de libaneses por parte de pai e ele sempre cultivou em mim nossas raízes.

Escolhi praticar e me dedicar à essa dança milenar para poder buscar minhas origens e como minha principal atividade física. Sempre fiz muitos esportes, desde pequena pratico natação, já tive a corrida como meu esporte favorito, já frequentei academias (e confesso que não sou muito fã) e finalmente me encontrei na dança.

Fiz um pouco de ballet na escola que estudava quando criança, mas depois acabei me dedicando à outras atividades que me interessavam na época. Porém com uns 17 anos voltei a me interessar pela dança, passava horas dançando em frente ao espelho, bolando coreografias malucas sem ter acesso à técnica nenhuma. Foi quando decidi me matricular no jazz em uma escola de dança do meu bairro, fiz um ano e logo depois passei no vestibular e minhas prioridades mudaram, porém não desisti completamente da dança, fiz como matéria eletiva o curso de dança contemporânea da UFSCar. Lembro que tinha que criar uma coreografia para ser avaliada na matéria, e escolhi a música Coffee (Arabian Dance) do Ballet Quebra-Nozes, que apesar de clássica tem uma pegada árabe. Fiz uma coreografia moderna com um toque de dança do ventre, sem nunca ter feito aula e tirei 9,0. 

Quando me formei, fui para São Paulo trabalhar como estatística na Serasa e os primeiros meses foram bem difíceis, pois além dos novos desafios e dificuldades, estava longe da minha família e amigos. Me sentia muito só, foi quando decidi que tinha que fazer algo para me sentir melhor e me matriculei nas aulas de dança do ventre da casa de chá Khan El Khalili. Desde então a dança tem me oferecido muitas boas oportunidades e caminhos felizes, inclusive já me salvou de diversos momentos tristes e difíceis.  

Além de ter notado diversas mudanças positivas no meu corpo: fiquei mais magra, minha cintura afinou, as pernas ficaram mais torneadas, a barriga definida, aumento de coordenação motora e da capacidade de memorizar sequências, senti também diversos benefícios psicológicos. Me sinto mais confiante, minha autoestima melhorou, fiquei mais cara de pau (por causa das apresentações), minha ansiedade diminuiu e inclusive notei melhoras nos sintomas da minha depressão (sim, tenho depressão desde os 20 anos). E além de todos esses benefícios, a dança me trouxe amizades sinceras e eternas. Conheci muita gente especial nestes 13 anos dedicados à dança do ventre: mulheres corajosas, guerreiras, todas Fênix.

E como professora, também noto muitas mudanças nas minhas alunas, nas primeiras aulas muitas delas estão tímidas, com vergonha de se olhar no espelho, estão com a autoestima baixa, acham que estão com o corpo feio ou que já não têm mais idade para dançar, se cobram demais, possuem diversos bloqueios, repressões e amarras que se formaram com o decorrer dos anos. Depois de 2 meses de aula, a mudança nelas é perceptível, elas começam a se gostar mais, vão para a aula maquiadas, com brincos, pulseiras. Se olham no espelho e se gostam. Ficam mais charmosas, confiantes e felizes. Por isso que sou apaixonada por esta modalidade, pois é uma modalidade para todas, sem restrição de idade ou peso.

 As aulas são bem dinâmicas, inicia-se com alongamento e exercícios para desenvolvimento da coordenação motora, depois a técnica é introduzida e a aula finaliza com mini sequências com os passos aprendidos. Nesta modalidade não só se aprende passos e sequências, o aprendizado se estende sobre a vasta cultura árabe.

A dança árabe é segmentada em diversas modalidades, além da dança tradicional (dança do ventre) que é esta que estamos acostumados a ver na televisão ou em filmes  (bailarina dançando com top, cinturão e saia longa), existem danças específicas de cada região do Oriente Médio, como por exemplo, o dabke, uma dança típica do Líbano, Síria, Palestina e Jordânia, que é uma dança de roda, sempre dançada em casamentos ou festas árabes. Ou o Khaleege que é típico dos Emirados Árabes e Iraque, na qual as mulheres dançam com uma bata larga ou vestido fechado, dando ênfase à movimentos de cabeça e cabelos. 

A dança do ventre é uma dança muito rica e com certeza irá mudar a sua vida! 

Segue um vídeo para exemplificar a beleza desta dança (apresentação das minhas alunas de final de ano do Ballet Expressão no Teatro Municipal de São Carlos):  






quarta-feira, 6 de abril de 2016

Os caminhos de uma bailarina

Esses dias atrás me peguei refletindo sobre minha trajetória na dança. E senti vontade de escrever este texto.


Sempre amei a dança, qualquer dança. Lembro, quando era criança, que minha mãe me levou para assistir o Ballet ‘Quebra Nozes’ no teatro, fiquei completamente apaixonada e encantada. Quando era adolescente tinha mania de escolher alguma música e criar coreografias loucas, passava horas dançando em frente ao espelho, sem técnica nenhuma, sem nunca ter feito aulas.

Antes de entrar na faculdade, me inscrevi em um curso de jazz em uma escola do meu bairro, fiquei 1 ano na turma, mas logo em seguida passei no vestibular, em estatística, e meu foco mudou. Mesmo assim não abandonei a dança, fiz dança contemporânea como matéria eletiva. Depois que me formei fui para São Paulo fazer estágio em uma empresa de pesquisa de mercado e logo depois do estágio fui contratada pela Serasa, onde trabalhei 7 anos, depois recebi uma proposta para trabalhar no banco Itaú e no final fiquei em São Paulo por 12 anos.

Nesse meio tempo, apesar de me achar velha para iniciar qualquer dança, decidi fazer aulas de dança do ventre para me distrair, me exercitar e me sentir menos solitária (já que estava longe da minha família). No começo tive muita dificuldade, para assimilar os passos, decorar sequências, pois meu corpo ainda não havia sido treinado para isso. Muitas vezes me sentia desmotivada, porque já estava na dança a um certo tempo, e entravam meninas novas que conseguiam pegar os passos mais facilmente. Muitas vezes voltei para casa chorando no metrô, querendo abandonar as aulas. Mas o amor pela dança não me deixou desistir.

E cá estou, quem diria, trabalhando com minha amada dança. Até chegar onde cheguei foi um longo caminho, de estudo, dedicação e coragem. Digo coragem, porque se eu não tivesse aceitado os convites para dançar em eventos, talvez não tivesse me desenvolvido tanto.

Dançar é prática, é experiência. Então além de você estudar e praticar na sala de aula, é importante você aceitar dançar no final do ano com seu grupo da escola, é aceitar o convite para fazer um solo na festa da sua amiga, é topar dançar no restaurante árabe. Isso te dá desenvoltura, te faz compreender que há diferença entre dançar no palco e em um restaurante e que para cada tipo de público a escolha da música ‘certa’ é muito importante. Também te dá a percepção de como interagir com seu público, você aprende a lidar com ‘imprevistos’ e se adequar a eles, você entende que para dançar em alguns lugares é imprescindível coreografar sua dança e que para outros você deve dar espaço para o improviso. Você aprende a ser um personagem diferente à cada dança.

É importante se ‘jogar’ na dança, porém sempre com o respaldo de uma mestra/professora que irá te dizer se você está preparada para se apresentar em grupo, competir, dançar um solo, etc, e caso ainda não esteja, ela irá te guiar para isso.

Então para se tornar uma ótima bailarina, procure uma boa professora, estude muito, pratique muito, se atualize sempre, saia da sua zona de conforto e dance, dance, dance para o resto da vida.


“Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança. Mas a paixão que vai na alma de quem dança” (Augusto Branco)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Preconceito na dança do ventre (by Angel Achkar)


Sou descendente de libaneses por parte de pai e o fato de ter raízes nas ‘arábias’ me ajudou a escolher a dança do ventre como a minha dança. Fiz 12 anos de dança do ventre e faço aulas até hoje. Dou aula a 2 anos. Desde os meus primeiros contatos com a dança observo um certo “preconceito” em relação à modalidade, inclusive por bailarinos de outras modalidades. A dança do ventre muitas vezes é taxada de fácil. Outras pessoas a taxam de vulgar, mas se mal dançada, qualquer dança pode ser vulgar, não é?

A dança do ventre é fácil? Não. A dança do ventre consiste em isolar, dissociar e controlar partes do corpo, especialmente o abdômen. Consiste em ter um vasto conhecimento de folclore, da cultura e de ritmos árabes.  

A dança do ventre é sensual? Sim, a dança do ventre tradicional é naturalmente sensual como diversas outras danças que existem por aí. Faço aulas de flamenco que é uma dança forte, com sapateados intensos, movimentos fortes de braços, mas em diversos momentos também é uma dança sensual. Tango é uma dança extremamente sensual. Será que o preconceito é por causa do figurino de dança do ventre moderno que expõe a barriga da bailarina? E qual o problema disso? Na dança contemporânea os bailarinos geralmente dançam só de shorts e top cor da pele, figurinos de jazz podem ser bem ousados e na salsa, as bailarinas dançam com minivestidos. E são todas danças lindas.

Além do mais, a grande maioria das pessoas só conhecem a dança do ventre superficialmente, só pelo que veem na televisão, que não necessariamente é o melhor da dança do ventre (em muitas vezes estes tipos de programas na TV só exaltam a sensualidade da dança). A dança oriental tem origem milenar, era uma dança ritualística, e influenciou diversas outras danças como o flamenco, por exemplo. Possui uma gama de estilos: a dança moderna árabe, a dança clássica e os folclores. Uma boa bailarina tem que conhecer os ritmos árabes que são muitos. Não existe só um estilo de dança do ventre, existe o estilo libanês, egípcio, turco, argentino, russo, etc. A dança do ventre é complexa. Estudo a muito tempo e mesmo assim tenho muito que aprender.

Talvez o nome da modalidade não ajude muito. Dança do ventre, dá a falsa impressão que a bailarina só tem que mexer o ventre. Lógico que aproximadamente 80% dos movimentos da dança do ventre tradicional se localizam no ventre, ainda mais que é uma dança feminina que era utilizada antigamente para preparar as mulheres para serem mães, porém mesmo na dança tradicional existem muitos movimentos de ombro, cabeça, pernas. A dança do ventre atual possui muita influência do ballet clássico: giros, arabesques, etc. Nem todos os folclores possuem unicamente movimentos de ventre. O Khaleege (dança folclórica do Golfo Pérsico), por exemplo, é caracterizado por movimentos intensos de cabeça, pescoço e cabelos. O Dabke (libanês/palestino) enfatiza a força e o vigor dos bailarinos, com saltos, pulos e marcações de pés. Muitas vezes opto em chamar a dança do ventre de dança árabe, para mostrar essa diversidade e riqueza da dança, porém também não é o melhor nome, porque a dança não tem origem somente nos países árabes, têm influência de outras culturas como a turca, fenícia, núbia, etc. A dança do ventre é muito rica e complexa, é uma dança que representa toda uma cultura.

Então é importante pesquisar e estudar antes de criar falsas percepções e PRE-CONCEITO:  "Preconceito geralmente ocorre com o que nos é desconhecido ou com aquilo que pensamos conhecer, mas sobre o qual temos poucas informações”.

Fico triste porque o preconceito muitas vezes vem de pessoas que também dançam. E fico extremamente ofendida porque além de estarem denegrindo uma arte milenar, estão ofendendo a cultura de um povo. A minha cultura.

Referências: